terça-feira, 24 de maio de 2011

RESPOSTA A ELITE USPIANA

A minha humilde opinião feana sobre segurança no Butantã é compartilhada por grande parte dos Centros Acadêmicos da USP: a questão não é "polícia sim' ou "polícia não'! Trata-se da concepção de universidade que nós queremos. Se nós queremos uma Universidade fechada, murada, elitista, excludente que se conserva hostil aos pobres e negr@s, pois, então, que se coloque ali dentro, uma corporação que está acostumada a fazer isso com "brilhantismo". Uma PM que executa mais de 150 pessoas por ano. Uma PM que só em SP mata mais do que a polícia de toda a África do Sul, um país com taxas de homicídio maiores do que nosso estado. Uma PM que investiga menos da metade das denúncias que chegam até a sua ouvidoria.(...) Aproveito também para manifestar minha solidariedade a família do Felipe, um jovem feano de 24 anos. Mais ou menos a idade média das 495 pessoas mortas em conflitos com a PM em SP em 2010. De fato, o assassinato de um ser humano é a coisa mais repugnante que existe neste mundo. Por este motivo, gostaria que nossa faculdade paralisasse suas aulas todas as vezes que um morador de Paraisópolis fosse morto em confronto com a PM. Somente no ano passado, seriam 14 paralisações. Para terminar, sugiro que, até em homenagem ao Felipe, defendamos uma USP composta pelos trabalhadores deste país. Movimentada pelas massas. Arejada pela juventude da periferia desta metrópole que por ora não consegue atravessar o filtro social da Fuvest. Iluminada não pelos filhos de uma elite caquética. Mas pelo sorriso da nossa gente diferenciada (o Felipe me parecia uma delas), que mesmo sofrendo, continua sua luta diária por direitos básicos, como o acesso ao ensino superior público e de qualidade. Afinal, o fim da criminalidade brutal pressupõe a democratização do conhecimento e a ocupação de um espaço que é público por todo o seu povo, sem exceção.

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